
No 25º dia do mês de Maio de 2011, foi realizada a segunda reunião de um grupo de alunos(as) interessados em formar um grupo de filosofia na UFABC. Tais reuniões passam a ser denominadas atos, sendo este que se apresenta o primeiro de muitos que hão de vir.
Membros presentes:
Alex Luppe
Gabriel Gomes Munhoz
Rafael Bernardo Karamázov
Rafael Cavalcanti
Tatyane Estrela
Temas abordados
1 – A filosofia particular do grupo, em busca da formação identitária do grupo.
2 – Projeto de extensão: Divulgar a filosofia como curso, tema e atividade intelectual e profissional tanto internamente quanto externamente à UFABC.
Citados como possíveis docentes apoiadores da proposta, Patrícia Del Nero Velasco, segue lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4771899U2
Anastasia Guidi Itokazu, segue lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4768942D0
Questões: o que? como? onde? e quando fazer?
Integrar os interessados em filosofia e criar um blog para a difusão de nossas atividades.
No início de cada reunião, os participantes devem trazer algo que marcou, podendo ser poesia, pensamento filosófico ou artístico. Além disso, deve ser feita a apresentação do membro, sua trajetória intelectual e relação com a filosofia, e os temas filosóficos de interesse.
3 – Papel do grupo
Reunir pessoas afins com a filosofia, divulgação filosófica, aproximação de alunos interessados por filosofia. Fortalecer a filosofia entre os docentes e aumentar o número de interessados pelo cursos tanto no ensino médio como na UFABC. Formular materiais informativos sobre filosofia. Pensar a representatividade da UFABC na região. Dar uma visão nova da filosofia, retirando da visão de sobrevoo que ela se encontra.
Apresentação dos membros:
Bernardo
Em processo de transformação, transição do BC&T (Bacharelado em Ciência e Tecnologia) para o BC&H (Bacharelado em Ciências e Humanidades). Desconstruindo-se e reconstruindo-se rumo ao pensamento estético. Participa do curso de Temas e Problemas em Filosofia, além dos primeiros cursos do BC&H. A opressão sofrida durante suas atividades o levou a filosofia, e após seus primeiros estudos independentes percebeu que precisava se aprofundar mais. O despertar ocorreu quando cursava o BC&T e via a filosofia como algo complementar. Parmênides, Heráclito e Nietzsche são referências relevantes. Nestes autores, observa a filosofia como voltada ao conhecimento, auto-análise, existência, psicanálise e psicologia. Tem interesse pelo movimento existencialista sartreano. Cita Gilberto Gil: “O melhor do mundo é aqui e agora”. Viu que a filosofia da UFABC lhe permitiria aprender Ciência, devido a liberdade acadêmica.
Interesses filosóficos: metafísica e filosofia da ciência.
“O homem é a medida de todas as coisas” Parmênides.
Alex, 22 anos
Teve um despertar para o ato de pensar no ensino médio, devido a professores que o instigaram. Não busca verdades, nem respostas, nem a identidade própria, apenas quer algo para passar aos outros. Atua em programas de ensino e tem interesse por ensino de filosofia, embora ministre aulas de história. Um dos meios de estímulo que considera importante é caminhar em grupo, dada as vivências plurais possibilitadas, busca o compartilhamento destas vivências, encara isso como um certo tipo de completude pessoal. Viajou pela América Latina, inclusive visitando Machu Picchu. Se preocupa com o ato de se comunicar, usar a linguagem e os mais diversos pensamentos para chegar até as pessoas. Vê a filosofia como algo que exige argumentação e como caminho inicial.
Interesses filosóficos: Contemporâneidade, Comunicação, Ciências Sociais e Política, Cinismo e Didática no pensamento da Grécia Antiga.
“Nada está dado, tudo está para ser construído” Sartre.
Gabriel, 19 anos
Quando mais novo, a família lhe cobrava que tivesse uma profissão “respeitável”, filosofia não seria uma delas, mas engenharia e arquitetura atendia ao requisito. Fez orientação vocacional para tentar se encontrar entre as 10 carreiras que tinha em dúvida. A filosofia o fascinava como algo que levava a reflexão e permitia desmontar discursos. Não queria algo pronto, queria saber o por quê das coisas. Tinha medo de desperdiçar sua vida como algo prático. Entendia a filosofia como ferramenta para a compreensão da vida. De início a mãe não aceitou a opção do filho e queria entender as razões da escolha. Em resposta, disse obter prazer em observar os detalhes e se questionar sobre tudo. Teve uma experiência marcante com a UFABC. Cursou Filosofia na PUC-SP e na Unifesp e estava em dúvida quanto a UFABC. Mas após ler o projeto da UFABC, decidiu pela nossa inovadora instituição.
Interesses filosóficos: Epistemologia, historia da ciencia, metafisica, estetica…
Trecho da música: O que é bonito?
“O que é bonito
É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não…
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou…
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não”
Rafael Braga, 25 anos
O interesse pela filosofia surge ao observar ter um olhar crítico desde a tenra infância e seus conflitos com a religião. Via que havia algo de errado, devido as contradições na religiosidade. Com o tempo começou a ler jornais de esportes e política, e começou a se interessar por política. Vindo de escola pública, se preocupava com as desigualdades sociais e corrupção. Ao ver tantos absurdos, teve sua crítica aumentada. Sempre gostou de geo-política e filosofia na escola. Como teve bons professores nessas áreas, logo despertou seu interesse pela filosofia. Sua entrada no curso de filosofia foi aos 24 anos. Haviam pressões para ganhar dinheiro, o que atrasou sua entrada no curso. Considera ruim pessoas estudarem o que não gostam. Com 16 anos passou a expressar suas angústias por meio de poesias. Cursou por 2 semestres redes de computadores, depois se dedicou integralmente ao trabalho. Também cursou o técnico em desenho de projetos no Senai, embora insatisfeito concluiu o curso, mas não se identificava com esta área. Conheceu a Nova Acrópole, onde se iniciou nos estudos de filosofia oriental. Na Nova Acrópole a filosofia é vista como o amor a sabedoria, e a expressão “à maneira clássica” tem o significado de ir além da teoria, de fazer a filosofia refletir na vida prática. Ética, modo de vida e os estudos de todas as religiões fazem parte da prática desta instituição. O contato com o foco no auto-conhecimento o fez observar que a insatisfação com o mundo tinha profunda relação com ele e pensava em fazer sua parte. Descobriu o prazer no estudo da filosofia. Ao ver a oportunidade na UFABC, veio para a instituição e está satisfeito como nunca antes.
Interesses filosóficos: metafísica e estética.
Trecho da música Clube da Esquina n°2:
“Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço, aço…..
Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos, calmos, calmos”
…
Tatyane Estrela, 26 anos
Insatisfação familia, quer entender o mundo, questionar sobre ele. Tem interesse por teatro; expressão artística; ciência, tecnologia e arte. Busca se encontrar diante dos diversos caminhos. Teve uma criação religiosa e tem uma perspectiva crítica sobre a religião. Saiu de casa cedo e estudou logística. Teve um percurso amplo em busca de se encontrar. Atuou no serviço público. Veio parar na filosofia quando não encontrou respostas em lugar nenhum. Questionamentos não acabavam e chegou a fazer parte da corrente política do PSOL, LSR – Liberdade, Socialismo e Revolução. não consegue mais seguir modelos, o ambiente ideal é o do questionamento. Cita sua orientadora, Andrea Paula dos Santos, como pensadora, questionadora, como cientista da desconstrução.
Interesses filosóficos: epistemologia, filosofia da ciência, filosofia como ação política e filosofia da diversidade.
“Filosofar para viver, ou viver para filosofar” Estrela.
Encaminhamentos
Foi observado que todos os participantes têm a negação do que está posto como fator que os levou a filosofia.
Houve a discussão final sobre um nome a ser dado ao grupo, que representa-se o mesmo. Depois de longas e acirradas colocações, entre elas a possibilidade de criar uma nova palavra para nomear o grupo, decidiu-se adotar o nome inicial Apoena, que na extinta língua significa “aquele que enxerga longe”. Seu uso no entanto extrapola essa definição, que pode dar a impressão de um surto iluminista no grupo. Aqui o “enxergar longe” têm um sentido mais amplo e sua nova conceituação está em construção.
Para o próximo encontro ficou decidido estudar a questão “o que é filosofia” sobre as mais diversas perspectivas. E a criação do blog irá permitir tanto o contato como a difusão das atividades. Um grupo no facebook foi criado com o nome Apoena.